A huge collection of 3400+ free website templates JAR theme com WP themes and more at the biggest community-driven free web design site
Home / Colunas / Coluna - Anésio Júnior / Privilégios continuam no setor público e o trabalhador paga pela crise

Privilégios continuam no setor público e o trabalhador paga pela crise

 

Por Anésio Junior

Neste momento de crise econômica e queda na arrecadação, qualquer medida que vise a redução de gastos para a preservar os empregos é bem-vinda. O bolo, de sabor amargo, deve ser dividido em partes iguais, sem distinção entre o setor público e privado.

O ministro Paulo Guedes apresentou um pacote de medidas para combater os efeitos econômicos da Covid-19. Entre elas a abertura de linha de crédito para os pequenos e microempresários; a livre negociação entre patrão e empregado, para redução das horas de trabalho e, consequentemente, dos salários, com o governo bancando a parte dos custos ao trabalhador.

Pois bem: quando se fala nos trabalhadores da iniciativa privada, aqueles mais vulneráveis e que podem perder o emprego a qualquer momento, as ações saem numa velocidade impressionante.

Mesmo com um auxílio irrisório diante do tamanho do problema, mesmo porque o governo também não pode dar um passo maior que a perna, os recursos de socorro às camadas mais pobres deverão provocar um rombo nas contas públicas, que levará alguns anos para que o estrago na economia seja minimizado.

Quando falo em dividir, proporcionalmente o bolo, para que não se cometa injustiça, quero dizer que muitos setores, os mais abastados, estão de braços cruzados, sem mover uma palha.

O governo deu uma ajuda considerável ao sistema financeiro injetando alguns bilhões de reais. Em contrapartida, os bancos continuam cobrando juros abusivos, aplicando as maiores taxas do mundo, enquanto a selic fixada pelo BC está em 3,5%. Algumas instituições financeiras operam com juros do cartão de crédito astronômicos, até 18% ao mês. Um roubo.

Partindo para o setor público a situação não é diferente. Os privilegiados que recebem até R$ 100 mil mensais, incluindo uma lista enorme de auxílio, fogem como o diabo da cruz quando aparece alguma proposta pela redução dos benefícios.

No legislativo, quando um parlamentar ousa a propor o corte de salários e outras benesses,  a maioria se cala.

Para não esticar a corda, vamos comentar a postura de algumas instituições, começando pela Câmara Municipal de Palmas. O vereador Milton Néris (PDT) apresentou um projeto para reduzir em 50% os salários dos parlamentares, da prefeita Cínthia Ribeiro e dos secretários. Segundo o vereador, médicos, profissionais de saúde e os efetivos não seriam atingidos pelo projeto.

A prefeita considerou a proposta do vereador do PDT demagógica e oportunista, por ser ele pré-candidato a prefeito de Palmas. Entendo que a iniciativa do parlamentar está correta. Não estou aqui para julgá-lo sob o olhar político, mas pela atitude tomada em relação ao tamanho do problema que já estamos vivendo e com o grau de incertezas que nos reserva o futuro.

Já o governador Mauro Carlesse se reuniu com os presidentes do Legislativo e Judiciário, ao expor a sua preocupação com a saúde financeira do Estado.

Todos concordaram em reduzir seus gastos, mas até agora não vi nenhuma ação para cortar, por exemplo, o excesso de benefícios que deputados e magistrados têm, como, por exemplo, auxílio-moradia e verba de gabinete, que consumem uma quantidade imensa de recursos.

Dias atrás o governo concedeu um reajuste de 40% para vários auxiliares do primeiro e segundo escalação. Até que passe a tempestade, o sensato seria revogar essa decisão.

No plano federal, também nenhuma ação efetiva. As lagostas, camarões e vinhos importados deverão continuar sendo servidos na mesa dos “semi-deuses”. E ainda temos que aguentar aquele sorriso sarcástico do ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Melo.

No Congresso Nacional, a proposta do senador Jorge Kakuru (GO) de reduzir em 50% as despesas do parlamento, inclusive os benefícios nada republicanos, foi engavetada.

Por que, mais uma vez, o trabalhador que levanta cedo, pega o coletivo, o metrô, e corre o risco de contrair o vírus do Covid-19, tem que se sacrificar com corte de salários? Em alguns casos com a perda do seu ganha pão, o emprego?

 

 

Além disso, verifique

Anésio Júnior: Reforma administrativa só pega “peixe” miúdo

Por Anésio Júnior Desde o governo de Fernando Collor na década de 90, se fala …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *