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Fanatismo político: saiba se você adoeceu e precisa de um psicanalista

Por Anésio Júnior

Dividido, o Brasil se enveredou por um caminho perigoso. Além do vírus mortal da Covid-19 o País foi contaminado pelo ódio, resultado de um fanatismo político extremo. Diria que as pessoas estão com a Síndrome Psicótica Aguda (nome fictício) que, tomadas por fortes emoções, ficam impedidas de raciocinar.

Antes esse vírus era mais presente nos aliados do ex-presidente Lula. Com a chegada de Bolsonaro ao poder, o vírus parece que sofreu uma mutação, surgindo o bolsonarismo, até mais agressivo.

Considero a situação bastante preocupante, pois pelo andar da carruagem estamos apenas só no começo. Essa onda de fanatismo contaminou até os cristãos, que deveriam dar exemplo de amor, solidariedade e tolerância. Difícil acreditar que a maioria, principalmente os evangélicos, está com a faca nos dentes ameaçando as pessoas que não comungam com seu pensamento político.

Essa guerra “desmedida” começou lá atrás com o ex-presidente Lula que, espertamente, manipulou uma massa de fiéis “escudeiros” que viam nele um herói nacional. Mesmo diante de tanto roubo praticado nos governos do PT, até hoje, com todas as provas que colocam o ex-presidente nas cenas dos crimes, seus seguidores pregam que Lula foi vítima de uma armação política da direita.

Fanatismo significa um estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivação de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente a paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode alinhar-se ao delírio.

Sob a ótica da psicologia, os fanáticos são descritos como indivíduos dotados das seguintes características: agressividade excessiva, preconceitos variados, estreiteza mental, extrema credulidade quanto a um determinado sistema, ódio, intolerância, sistema subjetivo de valores e intenso individualismo.

No século 19, o pensador francês Gustave Le Bun já havia atentado para o comportamento bizarro das pessoas ao se unirem em grupos, formando uma espécie de mentalidade única irracional.

Na obra Psicologia das Multidões, Le Bun escreveu: “Nas grandes multidões, acumula-se a estupidez, em vez da inteligência. Na mentalidade coletiva, as aptidões intelectuais dos indivíduos e, consequentemente, suas personalidades se enfraquecem. É como se, ao unirem aos seus pares, as pessoas deixassem de usar a razão e passassem a emoção tomar conta, tornando-se presas fáceis de manipulação”.

A não aceitação de ideias diferentes e a cegueira causada pela crença absoluta “em verdades reveladas” ainda insistem em aparecer nas mais diferentes esferas da sociedade, ameaçando a liberdade e o conceito básico da democracia.

O extremismo político não respeita as contradições do jogo democrático e rejeita a ideia de saber lidar com o outro. No caso do nazismo, a lei de que só o líder tinha razão, e os judeus eram os culpados de todas as mazelas, faziam com que as reflexões sobre os problemas perdessem o sentido”.

Discurso fundamentalista

Para a psicanalista Rita Almeida, o eu do fanático se sustenta por meio de uma imagem que ele cria para si e que precisa manter incólume. E ele a constrói a partir de um discurso que considera o “politicamente correto” ou “moralmente correto” e no qual se mantém preso; discurso fundamentalista por excelência.

Por outro lado, este discurso que o fanático reproduz como sendo seu, não tem nada que lhe seja singular, trata apenas de uma espécie de fé ou crença inabalável que ele reproduz sem questionar.

Mas, não sejamos ingênuos, não é apenas o discurso religioso que pode se encaixar nessa categoria discursiva. Teorias das mais diversas, dietas, gostos musicais, um time de futebol, uma bandeira política; tudo pode servir para alimentar o fundamentalismo do fanático.

Basta que este faça uso de tal discurso para obter uma resposta unívoca e definitiva para qualquer pergunta que faça. Pois, o fanático, não busca um discurso para transitar no mundo, mas para lhe servir de manual de como agir e se portar.

Na medida em que lhe faltam recursos simbólicos para buscar um modo próprio de se arranjar no laço social, o fanático precisa seguir verdades que já estejam dadas, às quais ele precisa apenas se submeter e obedecer. O que o fanático quer é se tornar o servo ideal de uma teoria.

No livro Como Curar um Fanático?, Amos Oz parte do princípio que o fanatismo é uma semente que está em todos nós. É muito mais velho que todas as ideologias e religiões; um componente intrínseco à natureza humana. A questão é apenas alimentá-lo ou não, e isso pode acontecer por várias vias.

É interessante que o maior problema do fanático seja sua tendência ao altruísmo, já que ele parece estar mais interessado em você do que nele próprio.

O fanático quer, sobretudo, mudar você porque, afinal, é ele quem sabe o que é melhor pra você.

PROPAGAÇÃO DO FANATISMO

Para a psicanalista Rita Almeida, há fanáticos por todos lados e de todos os tipos e modos.

Para Amos Oz, o maior embate global de nossa época é a luta universal contra todos os tipos de fanatismos e fundamentalismos, ainda que seja apenas para minimizar seus danos ou evitar sua propagação.

Alguns antídotos para esta luta são, segundo este autor: o humor, a capacidade de suportar situações onde não há nenhuma certeza e a capacidade de desfrutar da diversidade.

O humor é aquilo que nos faz rir de nós mesmos, ou seja, ele relativiza nosso lugar e nossas teorias, pois nos permite que olhemos para nós do modo como o outro nos vê. Quanto mais alguém é capaz de rir de si mesmo e de suas teorias, mais ele está vacinado contra o fanatismo.

Outro antídoto é abrir-se para as incertezas, suportar o que está em aberto, o que não tem resposta. Viajar para além de si mesmo é também um exercício eficaz contra o fanatismo.

É a capacidade de se imaginar no lugar do outro, mesmo no momento que acreditamos estar totalmente certos. É se deixar afetar pelo outro, de algum modo.

Se você, amigo, estiver com alguns destes sintomas, procure urgentemente a ajuda de um médico psicanalista.

É, pois é!

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