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Washington Novaes: morre um ícone do jornalismo e meio-ambiente

Washington Novaes era apaixonado e defensor do meio ambiente. Deixou um legado para futuras gerações, como jornalista e ambientalista

O jornalista Washington Novaes morreu na noite de ontem (24), em Aparecida de Goiânia, Goiás, aos 86 anos. No último dia 13, ele foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino e não resistiu às complicações decorrentes do procedimento.

O jornalista e documentarista atuou nas redações dos principais jornais e emissoras do país e é referência na cobertura de temas ligados ao meio ambiente e aos povos indígenas. Washington Novaes veio para Goiás, em 1982, a convite do jornalista Batista Custódio para implantar um projeto audacioso na criação do Diário da Manhã. Tempos depois, o jornal goiano já figurava na na lista dos veículos de maior credibilidade e respeitabilidade do País.

No Diário da Manhã, Washington Novaes fez escola. Com ele vieram outras nomes consagrados da imprensa nacional, como Aloysio Biondi e Reinaldo Jardim. A paixão por Goiás foi tão intensa, que Novaes decidiu ficar em definitivo na Capital goiana.

“Além de nós, filhos que ficamos órfãos, perdemos essa referência dele, e da minha mãe e dos netos que ficam sem ele, é uma perda muito grande para o Brasil pela referência que ele foi em trazer a pauta ambiental para dentro da grande mídia, quando pouco se falava sobre esse assunto na década de 80 e, sobretudo, na defesa dos povos indígenas”, disse à Agência Brasil o cineasta Pedro Novaes, filho do jornalista. “Acho um legado importante que eu espero que possa nos inspirar nesse momento tão difícil no Brasil”, completou.

Novaes passou pelas principais redações do País, como O Estado de S. PauloVeja, Folha de S.Paulo e TV Globo, como editor do Jornal Nacional, Rede Bandeirantes e TV Cultura. No Estadão, publicou até 2018 artigos na seção Espaço Aberto. Em texto de outubro de 2018, com o título “O clima esquenta, a agropecuária sofre”, escreveu: “aquecimento global, atingindo todos os continentes, todos os países, todos os viventes, não é problema que possa ser enfrentado apenas sacudindo os ombros e seguindo em frente com um assovio. Os preços são altos. Por mais que os ‘céticos do clima’ neguem os efeitos desastrosos, eles estão diante dos olhos de quem queira ver. E afetam o bolso dos produtores”.

“Nas colunas do Estadão, ele vinha com essa assertividade na denúncia do que não remetia ao uso inteligente e da promoção de um desenvolvimento que, para ser de fato efetivo, precisa ser sustentável”, disse em vídeo publicado no Twitter o jornalista André Trigueiro, editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da GloboNews. “O Brasil perdeu o mais importante pioneiro do jornalismo ambiental.”

Nas redes sociais, diversas autoridades e profissionais da imprensa manifestaram pesar pela morte de Novaes. O deputado federal Rodrigo Agostinho, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e coordenador da Frente Ambientalista do Congresso, reconheceu a trajetória do jornalista. “Tive o privilégio de acompanhar seu trabalho desde a minha adolescência. Era uma bússola para os jovens, referência de crítica e luta socioambiental. Meus sentimentos aos amigos e familiares”, escreveu.

O jornalista André Trigueiro, que também atua na área ambiental, disse, em vídeo, que o legado de Novaes continuará vivo nas gerações seguintes de jornalistas. “Tudo que eu sou nessa profissão na área ambiental eu devo ao exemplo, à contundência e coragem do mestre Washington Novaes. A trajetória dele abriu caminhos para várias gerações de jornalista que entenderam ser possível, sem prejuízo da isenção e da imparcialidade, denunciar o que não pode ser objeto de qualquer dúvida, que é a defesa da vida, do meio ambiente e dos direitos das comunidades indígenas”, destacou.

O jornalista Fernando Gabeira conversou com Novaes há cerca de duas semanas. “Ele costumava me enviar os artigos, e ultimamente escrevia muito sobre energia solar, entrava em detalhes, inclusive da própria indústria”, disse Gabeira, que destaca a profundidade com que o colega tratava dos temas que abordava. “Ele fazia muita pesquisa. Os artigos que escrevia eram realmente trabalhados, que acrescentavam muitos conhecimentos. Além do mais, era uma grande figura humana.”

Prêmios

Novaes conquistou o Prêmio Esso Especial de Ecologia e Meio Ambiente, em 1992, por artigos sobre a Eco-92 publicados no Jornal do Brasil e a medalha de prata no festival de Cinema e TV de Nova York, em 1982, pela direção do documentário “Amazonas, a Pátria e a Água”, veiculado pelo Globo Repórter.

Um dos trabalhos mais conhecidos do jornalista é a série documental “Xingu – A Terra Mágica”, que venceu premiações em Cuba e na Coreia do Sul, sendo selecionado para a Sala especial da Bienal de Veneza em 1986. Pioneiro no pagamento de direitos de imagens aos indígenas brasileiros, Novaes foi responsável por produzir cenas que deslumbraram o País. Foram dois meses de gravação em 1984, quando desbravou costumes e ajudou a criar celebridades internacionais, como o cacique Raoni. Mais de duas décadas depois, em 2006, o jornalista voltou ao local e, testemunha de mudanças, filmou cenas e personagens que havia encontrado antes para o documentário “Xingu, a Terra Ameaçada”.

Novaes teve uma breve passagem em cargo público – ocupou, entre 1991 e 1992, a Secretaria de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal.

Nascido em Vargem Grande do Sul (SP) em 3 de junho de 1934, Novaes morava em Goiânia. No Twitter, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), lamentou a morte: “perdemos uma referência no jornalismo ambiental”, disse.

 

 

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