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Jovem recolhe livros e material em lixão e constrói escola para comunidade

Crianças e adolescentes de uma comunidade carente de Miracema do Tocantins, na região central do estado, estão sofrendo consequências causadas pela chuva. É que uma escola feita de lona fica parcialmente inundada e precisa ser reconstruída todas as vezes que chove. “‘A chuva destrói a estrutura, mas não o desejo de ensinar’, diz Carlos André que sonha ser professor e, por isso, decidiu montar um local para dar aulas de reforço.

A estrutura foi construída de forma improvisada e as salas são feitas com pedaços de madeira, lonas e tecidos, quase todos recolhidos no lixo. A ideia começou em 2008 com brincadeiras entre cinco crianças. Atualmente o local é dividido por grau de escolaridade e faixa etária e tem até sala de professores e cantina para atender cerca de 60 crianças.

Sem ter condições de comprar objetos que auxiliam no aprendizado, Carlos procura livros e materiais escolares em um lixão. Apesar do prazer em ensinar, ele diz ser trabalhoso ter que reconstruir o local e ver as crianças sem aula quado chove. “Há 11 anos, a cada chuva que vem aqui, eu sou obrigado a construir a escola do zero”, disse.

Ele conta com a ajuda de professores mirins, também voluntários, e pais de alunos. “Tentamos salvar coisas daqui. Livros e cadernos porque a maioria molhou. A gente vai reaproveitar, botar no sol para ver se seca”, disse a pequena Denise da Silva.

Carlos, que recolhe livros do lixo, lamenta ver tudo sendo destruído pela água. “Me sinto muito triste porque as coisas estão se desperdiçando. Molhando tudinho. A gente fica sem graça. Boa parte do meu esforço e do meu trabalho está indo embora”, desabafa.

A vizinhança é responsável por doar os lanches, e quando não tem, Carlos André leva comida da própria casa. “Eu sei que se não tivesse lanche os alunos não iam querer vir para a escola”, afirmou Carlos André.

O pai dele, Domingos Costa, é lavrador e trabalha vendendo buritis, fruta típica do cerrado. “Não tenho trabalho fixo. Por mês da uns 60, 70 reais”. A renda é usada para sustentar as nove pessoas da casa. “Fico feliz por conta que ele está tirando as crianças da rua. Tenho orgulho de ser o pai dele”.

Além das crianças, toda a comunidade enxerga o resultado das aulas e apoiam o trabalho voluntário e feito com amor. “A gente aprende na escolinha a se comportar, ler, escrever”, disse um garoto. “Meu sonho é ser médica e a escolinha tá me ajudando nisso”, contou outra criança.

Mesmo diante das dificuldades, o jovem, que aprendeu a ler e escrever aos 10 anos, não pensa em desistir e diz que ainda vai ter a própria escola da forma que sempre sonhou. Pensando no futuro, Carlos já escolheu o nome da unidade escolar. “Escola Alegria do Saber”, diz emocionado.

 

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