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Fabricante de ivermectina diz à CPI que gastou R$ 700 mil para promover remédio ineficaz contra Covid

Jailton Batista, diretor-executivo da empresa farmacêutica Vitamedic, depõe à CPI da Covid Foto: Pedro França/Agência Senado
Jailton Batista, diretor-executivo da empresa farmacêutica Vitamedic, depõe à CPI da Covid Foto: Pedro França/Agência Senado
BRASÍLIA — A CPI da Covid ouviu nesta quarta-feira Jailton Batista, diretor-executivo da empresa farmacêutica Vitamedic, fabricante da ivermectina. Batista admitiu em depoimento que gastou R$ 717 mil para divulgar o uso do medicamento no combate a covid-19 apesar de não haver estudos assegurando sua eficácia. Para integrantes da CPI, a empresa estimulou o uso indevido do produto que passou a fazer parte do tratamento precoce incentivado pelo governo Bolsonaro.

Segundo dados fornecidos pela própria empresa à CPI, o número de comprimidos vendidos se multiplicou por 12 entre 2019, quando não havia pandemia, e 2020, quando a doença se espalhou, passando de 24,7 milhões para 297,6 milhões.O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), citou valores que a empresa faturou apenas com a ivermectina no período, e Jailton confirmou. Foram R$ 15,7 milhões em 2019 e R$ 470 milhões em 2020, ou seja, 30 vezes o faturado no ano anterior. O executivo também disse que, incluindo todos os medicamentos, a empresa faturou cerca de R$ 200 milhões em 2019. Em 2020, subiu para R$ 540 milhões. Em 2021, até julho, já foram cerca de R$ 300 milhões.

— Houve uma demanda do produto. E nós somos fabricantes. Nós produzimos o que o mercado demanda. É só isso — disse Batista.

Perguntado por que a Vitamedic continuou vendendo a ivermectina mesmo sem comprovação de sua eficácia para a Covid-19, ele afirmou que o remédio tem indicação para outras doenças e disse novamente que a produção da empresa seguiu o comportamento do mercado. Também admitiu que a Vitamedic não tem pesquisa sobre a eficácia do remédio.

Jailton reconheceu que a Vitamedic pagou R$ 717 mil pela publicação em jornais de um anúncio da Associação Médicos pela Vida favorável ao tratamento precoce com remédios sem eficácia contra a Covid-19. Fez apenas a ressalva que esse anúncio não dizia respeito apenas à ivermectina.

Questionado sobre qual é a indicação da ivermectina, o executivo disse se tratar de um antiparasitário. Questionado sobre a posição da Merck, empresa farmacêutica que desenvolveu o remédio, Jailton disse ela não recomendava o uso contra a Covid-19.

O executivo da Vitamedic afirmou que os efeitos colaterais da ivermectina são de baixo impacto, mas o remédio deve ser tomado apenas com orientação médica. Questionado se as declarações de Bolsonaro a favor da ivermectina impactaram as vendas da Vitamedic, ele disse que não tem como medir isso. Mas reconheceu não ter visto um presidente anterior fazer propaganda a favor de medicamentos como Bolsonaro fez.

Quanto à vitamina D, Renan disse que o faturamento subiu de quase R$ 500 mil em 2019 para R$ 2,3 milhões em 2020. Jailton novamente confirmou os números do relator.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), disse que amazonenses morreram em razão do chamado tratamento precoce e que os responsáveis não ficarão impunes.

A ivermectina faz parte do chamado “kit covid”, ao lado de outros medicamentos também sem comprovação científica para o enfrentamento à doença, como a cloroquina. Esses remédios, em especial a cloroquina, foram a grande aposta do governo federal na pandemia, tendo como principal garoto-propaganda o presidente Jair Bolsonaro.

Senadores criticam empresa

Alguns senadores criticaram a postura da empresa.

— O grande crime cometido nesse caso foi a empresa estimular o tratamento precoce ou preventivo, ou seja, se você toma essa medicação, você não vai contrair a doença. Esse estímulo a usar a medicação e também dar publicidade a isso através de notas em jornais. A empresa do senhor colocou outdoor pela Bahia, estimulando o tratamento precoce. E até na cidade onde o senhor foi secretário, em Feira de Santana, passava e via outdoor, notas em jornais, tudo para estimular a venda da ivermectina — criticou o senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico.

—Esclareço que nenhum outdoor foi patrocinado pela empresa estimulando o tratamento precoce. Deve ter sido iniciativa de algum médico ou de alguma instituição. Não fomos nós que patrocinamos — respondeu o executivo da Vitamedic.

Otto perguntou também se a empresa pagou bonificação a médicos para estimular a ivermectina no tratamento da Covid-19. Jailton negou. Otto rebateu citando alguns casos que, segundo ele, são de médicos que receberam dinheiro da empresa para isso. Jailton voltou a negar e disse que, no caso de um médico citado pelo senador, fez um pagamento para que ele fizesse uma análise de documentos relacionados ao assunto, e não para estimular o uso da ivermectina. Jailton reconheceu, porém, que o trabalho não foi concluído ainda.

Preço médio em alta

Em junho, a pedido do relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI aprovou a convocação do empresário José Alves Filho, da Vitamedic. Ele, porém, alegou ser apenas um dos acionistas e disse que “a administração das rotinas diárias é encargo da Diretoria-Executiva, contratada pelo Conselho de Administração, no presente caso, liderada pelo Sr. Jailton Batista”.

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Assim, a CPI substituiu o depoimento de um pelo outro. Em 10 de junho, a comissão aprovou um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) para que a empresa fornecesse informações sobre a venda de nove remédios e suplementos do “kit covid”. Em resposta, a Vitamedic informou comercializar quatro deles: ivermectina, suplemento de zinco, suplemento de vitamina C e suplemento de vitamina D.Os dados fornecidos pela empresa mostram um crescimento muito grande no faturamento da empresa em 2020, quando a pandemia teve início.  A empresa vende três tipos de caixa: uma com dois comprimidos de ivermectina, uma com quatro, e outra com 500.

As vendas entre janeiro e maio de 2021 também continuaram altas: 173,9 milhões de comprimidos. Isso é mais do que em todo o ano de 2019, e proporcionalmente maior do que em 2020.O preço médio, segundo a empresa, também subiu. A caixa com dois comprimidos custava R$ 2,01 ao distribuidor em 2019, e R$ 3,24 em 2020.

A de quatro saiu de R$ 3,29 para R$ 6,68. A de 500 pulou de R$ 73,87 para R$ 240,90.O requerimento do senador Humberto Costa também pedia informações sobre gastos com publicidade. A empresa não informou nenhum valor entre 2016 e 2019. Em 2020, foram R$ 12 mil em publicidade da ivermectina e, em 2021, R$ 39 mil.Houve também um crescimento muito grande na venda de vitamina D entre 2019 e 2020.

A empresa vende o produto em gotas e em seis tipos de caixa em que há variação da concentração da substância e da quantidade de comprimidos. Em três casos, houve aumento das vendas, e, em outros quatro, a produção começou apenas em 2020. A produção de zinco e vitamina C também teve início somente no ano passado.Em 16 de junho, a CPI também quebrou os sigilos bancário e fiscal da Vitamedic. A Receita Federal e os bancos já repassaram os dados à comissão.

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