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Bolsonaro esvazia discurso da moralidade e agora está refém do Centrão

Bolsonaro garantiu a Sérgio Moro que ele teria liberdade para atuar no seu time, mas mudou de estratégia com a bola já rolando

Por Anésio Júnior

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Com base neste versículo bíblico, usado com frequência pelo presidente Jair Bolsonaro, é que baseio minhas opiniões como jornalista.

A verdade sempre há de prevalecer, não importam os meios, pois ela se sobrepõe a qualquer tipo de falsidade. Não existem meias verdades. Ele é única.

Por isso, apesar de o voto ser secreto, não temo dizer que votei em duas ocasiões nos ex-presidentes Lula e Dilma. Como também não temo em afirmar que me arrependi, diante de tudo o que aconteceu.

No poder, Lula comandou uma quadrilha para roubar os cofres públicos. Não me venham com a conversa de dizer que Lula é inocente, pois não é.

Nem por isso deixarei de reconhecer que ele fez um governo com sustentabilidade e o Brasil teve avanços de ordem social e econômica.

Da mesma forma que acreditei em Lula e no programa de governo do PT depositei também todas as confianças em Bolsonaro, para tentar, como muitos outros brasileiros, quebrar esse ciclo vicioso na política brasileira.

Mesmo não tendo votado para presidente, em função de estar fora do domicílio eleitoral, não temo em dizer que votaria em Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Analisar o momento político que estamos vivendo no Brasil não é nada fácil. Não há outra alternativa senão basear em fatos reais. Questionam as mensagens divulgadas por Sérgio Moro para atingir Bolsonaro, afirmando que faltou ética ao ex-ministro. Pode ser, mas nada apaga a verdade inseridas no diálogo dele tanto com Bolsonaro quanto com a deputada Carla Zambelli.

Sou forçado a voltar em 2016 quando foi vazado um áudio de uma conversa entre os ex-presidente Dilma e Lula, e dele para o presidente do PT, Rui Falcão. À época, todos, inclusive os hoje bolsonaristas, defenderam Sérgio Moro, dizendo que os áudios tinham mesmo que ser divulgados.

Mais recentemente, o The Intercept publicou uma série de conversas privadas do ex-juiz Sérgio Moro com os procuradores da República, que investigavam os crimes cometidos na conhecida operação Lava Jato.

O comportamento de Moro foi questionado e com razão, mas o crime não teria interferido no resultado final das investigações, que culminaram com a condenação de Lula, como alegam os petistas.

Pois bem. Se todas as conversas privadas valeram para que a galera apaixonada, de um lado e outro, pudesse soltar fogos e comemorar a derrota dos adversários, por que não valeria agora? Afinal, só conhecendo a verdade, ela é capaz de nos libertar.

E por falar em galera, vou recorrer a metáforas futebolísticas para fazer uma análise tática e técnica do governo Bolsonaro.

Nas eleições de 2018 Jair Bolsonaro foi eleito treinador (presidente da República) para comandar um time chamado Brasil.

Montou uma equipe altamente técnica e qualificada (embora nem todos sejam craques de primeira linha) para enfrentar um adversário tinhoso e experiente, neste caso o Congresso Nacional. Na gíria do futebol, um time de boleiros.

Primeiro veio Paulo Guedes, que indicou ao técnico Bolsonaro a contratação de Sérgio Moro, que seria o dono da camisa 10, dando a ele toda a liberdade para atuar, com uma pauta ampla de combate à criminalidade.

Aos poucos, por alguma razão (alguns acham que foi por ciúme, pois o jogador estava se sobressaindo melhor que o técnico), Bolsonaro limitou o espaço de atuação de Moro, desfigurando o projeto de combate ao crime e interferindo no Coaf, que de certa forma, tirava do ministro da Justiça um dos principais órgãos de enfrentamento às organizações criminosas no Brasil.

Para manter sua torcida organizada, fiel e vibrante, Bolsonaro antes de entrar em campo promovia seu show diário, levando à galera ao delírio, um comportamento que lembra mais um treinador de time de várzea do que de uma equipe profissional.

Chamando as atenções pra si foi aí que Bolsonaro se perdeu. Passou determinações para três jogadores do time que se revezavam com a braçadeira de capitão: seu filho Eduardo Bolsonaro, e os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores e Abraham Weintraub, da Educação. De suas bocas saíram as maiores atrocidades contra tudo e contra todos. No caso da educação, até que o ministro acertou em algumas colocações.

Enquanto o time em campo brigava para vencer, do banco de reservas o técnico Bolsonaro esbravejava, atacava os repórteres, o time adversário, cujo comportamento só agradava a sua torcida apaixonada. E das arquibancadas se ouvia o coro: “mito, mito, mito”.

Dos Estados Unidos, um auxiliar técnico virtual, Olavo de Carvalho orientava Bolsonaro como ele deveria agir. Primeiro criou problemas com generais, como Santa Cruz, depois afastou Mandetta do time e, por último, não satisfeito, rescindiu contrato com Sérgio Moro.

Bolsonaro buscou na pirotecnia as justificativas para o afastamento do ministro. Até agora nada ficou provado que Moro conspirava contra ele. Se mostrar um áudio ou alguma mensagem trocadas contra desafetos do presidente revejo minha posição.

A estratégia tática de Bolsonaro não funcionou e ao cometer o anti-jogo ele pode ser processado criminalmente. E para não perder a partida e fugir do processo de impeachment, terá que comprar alguns jogadores do time adversário (Centrão), oferecendo cargos no governo, como a direção do Banco do Nordeste, contrariando o que pregou durante toda a campanha.

Volto aos anos 70 para lembrar de Yustrick, técnico do Flamengo, conhecido como um treinador duro, que comandava seu time aos gritos. Ele se envolvia em constantes atritos com jogadores, colegas de profissão, dirigentes e imprensa. Em 1953, Yustrick conseguiu um fato inédito: foi expulso do Atlético Mineiro pelos próprios jogadores

Hoje, esse estratégia não funciona mais. Para ter sucesso na profissão é indispensável ter equilíbrio, conhecimento e comando. Já não se ganha mais jogo no grito. Bolsonaro já deveria saber disso. A bola continua rolando, mas a partida poderá ser encerrada antes mesmo do apito do juiz. Esperar pra ver.

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