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Cidade de Goiás: população cobra medidas de prevenção às enchentes

Por Anésio Júnior

A matéria “Cidade de Goiás continua vulnerável a danos causados por enchentes”, publicada por este site, teve uma repercussão bastante positiva, acima da expectativa nas redes sociais.

Os leitores, principalmente os ambientalistas e a população de um modo geral, demonstraram em suas postagens, o quanto estão preocupados com o que possa acontecer com uma das principais cidades turísticas do Estado, tombada pelo Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.

Afinal, já se passaram 19 anos depois da primeira enchente do Rio Vermelho, em 2001, que praticamente devastou a cidade, atingindo prédios históricos, inclusive a casa da poetisa Cora Coralina. E a última também de grande proporção, em 2011.

Neste longo período alguma coisa já poderia ter sido feito, mas a promessa do poder público de construir algumas obras estruturantes para evitar outro desastre similar, ainda não saiu do papel.

A situação é preocupante e requer não somente uma ação política, mas interesse em resolver o problema. Caso ocorra outra enchente na dimensão das que já aconteceram, as consequências serão dramáticas para a Cidade de Goiás.

Foi baseado numa postagem no Facebook da educadora e empresária Maria Das Graças Fleury, com assinatura dela, do seu esposo, o arquiteto e artista plástico, Elder Rocha Lima, e do jornalista e documentarista, Edson Luiz de Almeida, que o site emtempocn.com.br produziu o texto jornalístico.

Danos irrecuperáveis em 2001

Na virada de 2001 para 2002, a Cidade de Goiás sofreu perdas irreparáveis de construções e objetos centenários com o temporal que caiu por dois dias. O grande volume de água fez transbordar o rio Vermelho, que corta a cidade, e atingiu todas as construções ribeirinhas, entre elas a casa de Cora Coralina.

O muro da residência foi derrubado e a edificação foi invadida pela correnteza, que levou com ela objetos e anotações pessoais insubstituíveis da poetisa.

A cidade havia recebido o título de Patrimônio da Humanidade em dezembro, menos de um mês antes da inundação.

A reconstrução das residências foi motivo de grande briga entre a prefeitura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pois muitas das adaptações feitas nas casas nos últimos anos não foram mantidas no projeto de restauração.

Mais estragos em 2011

As chuvas castigaram Goiás Velho novamente em janeiro de 2011. O transbordamento do Rio Vermelho atingiu ao menos 30 casas da área tombada. Escoras tiveram que ser colocada para amparar seis delas.

Outras duas, com mais de 200 anos, não resistiram aos temporais e desabaram. Uma das três seculares pontes de madeira foi interditada por causa do risco de desabamento. Parte do calçamento de pedra também foi danificada.

 

Veja na íntegra o texto assinado por Maria das Graças Fleury, Elder Rocha Lima e Edson Luiz Almeida

ENCHENTE EM GOIÁS: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Tragédias podem acontecer em decorrência de fatores imprevistos, mas há situações em que tudo aponta para um grande desastre.

Patrimônio da Humanidade, declarado pela Unesco, o Centro Histórico da cidade de Goiás, devastado ao longo da história por enchentes, entre as quais a de 2001, que gerou prejuízos incalculáveis, caminha para uma tragédia anunciada.

Estudos indicam que, aproximadamente, a cada 10 anos, uma grande enchente ocorre na antiga capital do Estado de Goiás. De fato, em 2011 uma nova cheia ocorreu no rio Vermelho, felizmente sem provocar maiores danos.

A se manter esse ciclo histórico, uma nova cheia poderá ocorrer a qualquer momento.

Mas há ainda um fator adicional de preocupação: as mudanças climáticas, provocadas sobretudo, segundo cientistas, pelo aquecimento global. Já faz algumas décadas que cientistas vêm alertando para o crescimento dos fenômenos climáticos extremos, como grandes enchentes, secas, incêndios.

Portanto, se a cidade de Goiás já estava sujeita a novas cheias devastadoras, assim como à falta de água, o risco de grandes tragédias cresceu ainda mais com o advento das mudanças climáticas.

As recentes chuvas recordes em Belo Horizonte e São Paulo devem servir de alerta (mesmo sabendo que as causas do Sudeste sejam diferentes das do Centro-Oeste e particularmente de nossa cidade).

Mesmo no caso de São Paulo, onde foram adotadas em anos recentes ações de engenharia, como o aprofundamento da calha do rio Tietê e a construção de piscinões, ficou claro que as mudanças climáticas e o uso desordenado e impermeabilização do solo exigem medidas urgentes de muito maior envergadura.

Dito isso, uma pergunta fundamental passa a cobrar resposta: o que tem sido feito, desde o desastre de 2001, para prevenir enchentes e evitar que parte do Centro Histórico da cidade de Goiás seja simplesmente arrastada pelas águas?

Essa é a pergunta que dirigimos à sociedade, mas, sobretudo, às autoridades municipais, estaduais e federais. Para usar a expressão de um filho ilustre da cidade de Goiás: a cidade, o estado e o país vão enfrentar essa questão ou vamos nos conformar em chorar sobre o leite derramado?

Depois da tragédia de 2001, foi formada uma comissão composta por técnicos e professores da UnB, UFG e Secretarias municipal e estadual do meio ambiente que formularam medidas urgentes para evitar que a tragédia se repetisse.

No entanto desconhecemos qualquer medida que tenha sido adotada pelas autoridades dos três níveis para prevenir enchentes na cidade de Goiás.

 

O que estamos propondo é a criação imediata de uma força-tarefa, composta por autoridades e sociedade, para analisar a questão e propor ações urgentes, reconhecendo que estudos já foram realizados e podem embasar tais decisões.

A responsabilidade é de todos nós: Prefeitura Municipal da cidade de Goiás, governos estadual e federal, secretarias de Meio Ambiente, Ministério Público, Iphan, Delegacia Estadual do Meio Ambiente, Câmara de Vereadores, instituições de defesa da Cultura e do Meio Ambiente e sociedade, dentre outros.

Não custa lembrar que há medidas importantes que podem ser tomadas de imediato, como o possível aprofundamento e alargamento da calha do rio Vermelho. Isto é possivel fazer? Realmente melhora? Há alguma sugestão mais importante, mais barata e rápida?. O reflorestamento das margens dos rios e a construção de piscinões devem ser analisados também sem demora.

Enfim, diante da tragédia anunciada da devastação do Centro Histórico da cidade de Goiás, autoridades e sociedade vamos agir ou nos contentar em chorar sobre o leite derramado?

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