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Poetisa usa lives para levar alegria às crianças durante isolamento social

Capacidade interativa da poesia, da musicalidade, aliada a sentimentos e pensamentos distantes desenvolve a imaginação da criança

Por Anésio Júnior

O isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus mudou o comportamento das famílias. Todos sofrem, mas um grupo em especial tem sentido a falta de liberdade. Como pássaros ficaram sem asas para voar: são elas, as crianças dóceis, inocentes e indefesas.

Como colocar na cabecinha desses anjos que há um vírus por aí, que está fazendo mal a tanta gente?

“A poesia é o amor realizado do desejo que permanece como desejo”. E foi inspirada nesta frase do poeta Rene Char que a educadora e poetisa, Carmem Lúcia Andrade, de Campo Grande (MS), teve não apenas uma ideia genial, mas um desejo, de buscar na literatura infantil, um meio eficaz de minimizar os danos causados pelo isolamento.

Em sua casa ela montou um cenário improvisado, criando um lugar específico para interação entre pais e filhos, através de lives diárias pelo instagram @carmempoesia.

Ambiente da casa foi decorado com luzes e cores

Palco perfeito

“Arrumei todo ambiente com luzes, cores, perucas, magia, música, livros de poemas e contos infantis e fiz a chamada pelas redes sociais. Foi a maneira que encontrei de ficar menos isolada e o prazer de estar perto das crianças. Se para um adulto é difícil a locomoção de ir e vir, imagina para as crianças que têm asas”?

Não resta dúvida que a maioria dos poemas infantis tem como missão passar algum tipo de valor. Em um mundo tão ausente de alguns valores, é importante mostrar que com beleza e leveza é possível amar o próximo, a natureza e os animais. Estes valores são traduzidos em sentimentos através de palavras envoltas em criatividade e sensibilidade.

Carmem Lúcia juntou tudo isso no seu “palácio de contos de fadas” e os resultados têm sido extraordinários. Mas confessa que no começo da pandemia, sentiu como se estivesse participando de um filme de ficção, enquanto arrumava seu material e despedia dos alunos. “Quando os veria novamente?”, questionou.

Não ter a presença de filhos e netos (2), amigos, acordar sem poder ir trabalhar, era algo estranho e desolador. Foi a partir daí que surgiu a ideia de realizar as lives diárias”, explica a contadora de histórias.

Teatro à distância

 Hoje, a educadora e poetisa fala com brilho nos olhos o que, de certa forma, reflete o sentimento que vem do coração e da receptividade do trabalho de interação durante as lives. “Eles assistem juntos a contação de história. Depois abro o canal para que as crianças contem e mostrem o que têm feito de diferente nestes dias de isolamento social”

E acrescenta: “coisas incríveis têm acontecido: eles pintam, desenham, participam ajudando a enrolar um pãozinho, biscoito, dançam, leem, vestem-se de princesas e super-heróis. Nada é impositivo, a família e filhos preparam antes. Há, portanto, um envolvimento de todos”.

Carmem e Luisa: separadas fisicamente, mas unidas no amor: “O que já era bom, redobrou”

Saudade dos netos

Carmem lembra carinhosamente do significado da união da família durante o período. “Meus netos têm feito coisa incríveis em casa com os pais e comigo à distância. Demonstrações de afeto ao vivo, cartas que são deixadas no portão do condomínio, enfim! O que era bom antes, redobrou”, diz. Até a semana que vem nascerá outra neta, Carolina. Em meio à tanta lágrima, a alegria de uma vida”

E a vovó Carmem revela que tem sido muito amada nestas lives. Todos os dias leio, ouço: “Vem, Carolina! Meu neto Benjamim (6 anos) declamou um poema para Carolina. Emoção de derramar lágrimas. Luisa, minha outra neta (3 anos) pergunta todos os dias, quando Carolina vai chegar”, conta ainda.

Benjamim e a vovó Carmem: “A distância machuca, mas tudo vai passar”, diz a poetisa

A nossa encantada poetisa tem razão. Afinal, a capacidade interativa da poesia, da musicalidade, aliada a sentimentos e pensamentos distantes desenvolve a imaginação da criança que a partir daquelas palavras entendem o que está sendo dito, por quem está sendo dito e por que. Neste novo universo, ela se torna protagonista capaz de interpretar a poesia com uma imaginação envolta em seus próprios sentimentos.

Carmem fala que neste momento “o amor, o elo desabrochou em toda a humanidade. De tudo tiramos lições. Mais que lavar as mãos, temos que dar as mãos, unirmos em solidariedade. Dizer às crianças que esse momento de medo e angústia vai passar e será, em breve, mais uma história a ser contada. E que tenhamos um final feliz ainda que diante dessa dor”.

Memorização

A musicalidade das estrofes e a utilização de termos simples ajudam a ampliar a memorização das crianças. Ela é capaz de repetir as estrofes dos poemas que mais gosta. Os pais podem intensificar esta memorização se fizerem uma espécie de dramatização do poema, como está fazendo Carmem Lúcia, através de pequenos teatros. Uma poesia aprendida na infância é capaz de marcar e acompanhar uma pessoa por toda a sua vida adulta.

A poetisa e educadora Carmem Lúcia criou um cenário perfeito para interagir com as crianças e os pais durante as lives diárias

 

 

 

 

 

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